O Visagismo, a Personalidade e os Temperamentos

1. Introdução

O Visagismo, é uma compilação de diversas linhas de estudo e ciências de diversas áreas diferentes de atuação, algumas realmente muito antigas, o que torna os alicerces do Visagismo cada vez mais sólidos e sua atuação cada vez mais abrangente, pois não se dirige apenas à indivíduos, como também a produtos e ambiente corporativo em geral.

Como há muitas dúvidas e falta de esclarecimento acerca do estudo dos temperamentos e personalidades, essa matéria irá explicar de maneira breve, porém didática em que consiste esses estudos e como o Visagismo acadêmico se utiliza dessas ferramentas no dia-a-dia para a elaboração de trabalhos como o Dossiê Visagista e a Análise Visagista Facial Parcial.

2. Temperamentos

A palavra temperamento deriva do latim temperamentum, que literalmente significamistura de coisas em determinadas proporções’. Existem relatos sobre a existência dos quatro temperamentos desde o médico Hipócrates (460 a. C. a 370 a.C.), porém Rudolf Steiner, filósofo e profundo estudioso de Goethe (autor da Teoria das Cores) conhecido como o fundador da antroposofia, hoje utilizada e estudada no mundo inteiro, estudou e publicou diversos materiais, discorrendo à respeito dos temperamentos de forma bastante didática, por conta disso, essa matéria se utilizará de seu conhecimento acerca dos temperamentos segundo os conceitos de Steiner.

Os temperamentos são divididos em quatro grupos (sanguíneo, colérico, fleumático e melancólico). Na maioria dos indivíduos, coexistem dois ou mais temperamentos, sendo extremamente raro encontrar alguém que represente um único temperamento de forma pura, porém vale a pena lembrar que qualquer indivíduo pode passar pelos quatro temperamentos em um dia.

Cada temperamento, possui ligação com um elemento da natureza (terra, água, ar e fogo), a seguir, a breve descrição da criança de cada um dos temperamentos:

2.1 Sanguíneo – Elemento ar

O indivíduo sanguíneo pode também ser chamado de aéreo, pois o corpo leve e ágil parece viver acima do chão, nunca pára durante muito e tem a alegria como seu estado predominante e não se prende muito tempo a uma tarefa.

Geralmente é inteligente, mas carece de foco e concentração e tem predileção por alimentos azedos e picantes.

Não é usando a força que pode se dominar esse temperamento, deverá utilizar uma inclinação afetiva, pois só assim através de um verdadeiro amor fixar-se-á mais demoradamente em seu objeto de afeição.

2.2 Melancólico – Elemento terra

O temperamento melancólico é em todos os sentidos, oposto ao sanguíneo. No lugar de leveza e alegria, temos o peso e a tristeza. O indivíduo cria em si um mundo imaginário onde gosta de se isolar, embora esteja no fundo, ávido por afeição, compreensão e atenção. Seu próprio corpo parece ser um fardo.

Os movimentos são mais lentos e desajeitados, contrastando com a agilidade da criança sanguínea, por essa razão, o melancólico não é facilmente aceito pelos colegas, reforçando a tendência à solidão e o ensimesmamento.

Esse ensimesmamento, conduz a um egocentrismo exagerado. O indivíduo tem uma tendência para doenças, e qualquer mal estar o arrasa. Sua sensibilidade tanto física como psíquica são extremas.

O melancólico come pouco e geralmente sofre de problemas de digestão, em compensação, gosta de doces e balas. A amargura diante da vida reflete-se na denominação deste temperamento: melancolia significa a presença de “bílis preta”.

2.3 Colérico – Elemento fogo

É fácil convencer qualquer um da ligação do temperamento colérico com o “fogo”. Seus períodos de concentração não duram muito e na primeira ocasião “estouram” numa atitude de violência descontrolada e fora de proporção com a causa do incidente. Após terminado o acesso de raiva, o colérico será o primeiro a lamentar seu comportamento e tomar as melhores resoluções – até a próxima vez.

É nos intervalos que o colérico se torna acessível, tentar argumentar com ele durante um acesso de raiva é inútil e serve apenas para deixá-lo mais furioso, porém, nos períodos “normais”, o colérico sofre com sua falta de autocontrole. Em geral, o colérico também possui muitas características positivas, é responsável, corajoso, perseverante e aplicado, um líder nato, seus conceitos de moralidade são simples e por vezes simplistas, o mal tem que ser contido com toda a energia.

Nunca se deve tratar coléricos com ironia ou críticas mesquinhas, pois atrás das aparências duras e violentas, em geral se esconde uma alma delicada e sedenta de carinho.

2.4 Fleumático – Elemento água

Na criança fleumática observamos uma nítida preponderância dos processos “viscerais”, isto é, do elemento “água”. O corpo gorducho, a sonolência quase crônica e a falta de interesse com o que acontece ao seu redor, indicam que o fleumático se encontra absorvido por seus processos metabólicos.

Seria errado no temperamento fleumático, considerar apenas os lados negativos. A constância de seus sentimentos, leva a uma bondade e uma fidelidade fora do comum. Atrás da impassividade de sua expressão, esconde-se muitas vezes uma inteligência prática fora do comum, e sua lentidão para captar impressões e conhecimentos novos, é compensada pela perseverança, calma e espírito metódico.

O fleumático é um introvertido, porém não sofre disto como o melancólico, ele aprecia não ser incomodado. Grande parte de sua atenção se concentra na comida e na alimentação, que é a primeira fase dos processos metabólicos que  predominam seu temperamento.

Como tem tendência para dormir muito, devem-se reduzir as horas de sono. Em vez de sopas, pudins e doces que ele adora, convém aumentar o consumo de frutas, saladas e alimentos bem salgados. De modo geral, é preciso lutar contra a gordura e exigir movimentos físicos.

3. Personalidades

Já a palavra personalidade deriva do latim personare, persona = ressoar, máscara; é o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, agir e sentir (individualidade pessoal e social). Muitos estudiosos discorreram sobre esse assunto, porém essa matéria irá relatar brevemente somente três deles que tiveram grande importância para o entendimento da população e de profissionais de diversas áreas diferentes de atuação profissional.

3.1 Carl Gustav Jung

“A personalidade como expressão da totalidade do homem foi circunscrita por C. G. Jung como sendo o ideal do adulto, cuja realização consciente por meio da “individuação” representa o marco final do desenvolvimento humano para o período situado além da metade da existência. Jung, em todas as suas últimas obras, dedica atenção especial à compreensão e à descrição desse escopo. No entanto, é fato evidente que o “eu” se forma e se fortalece na infância e na adolescência. Seria inconcebível ocupar-se alguém com o “processo da individuação” sem considerar devidamente esta fase inicial do desenvolvimento.” Esse trecho foi extraído do livro “O desenvolvimento da personalidade”, uma compilação de artigos publicados por Jung.

A personalidade total ou psique, como é chamada por Jung, consiste de vários sistemas isolados, mas que atuam uns sobre os outros de forma dinâmica.

Os principais sistemas correspondem, na psicologia analítica de Jung, ao ego, ao inconsciente individual e ao inconsciente coletivo, à persona, à anima ou animus, e à sombra. Tais elementos, como um todo, formam a personalidade total ou Si-Mesmo (em alemão Selbst, e em inglês Self). Os conceitos de introvertido e extrovertido, também foram criados por Jung.

3.2 Sigmund Freud

Com base no relato de pacientes a respeito de suas fantasias, sintomas neuróticos, lembranças e sonhos, Freud desenvolveu uma teoria sobre a estrutura da personalidade humana (Teoria da Personalidade) e a dinâmica de seu funcionamento. Segundo ele, nossa personalidade é formada por três instâncias: id, ego e superego.

Pode-se visualizar a dinâmica entre essas três instâncias da seguinte maneira: energias determinantes de desejos, originárias do id, devem chegar ao nível do ego para que este possa articular ações supressoras das necessidades então impostas. Se o ego irá dar conta de fazê-lo ou não, este é um problema que diz respeito às possibilidades reais de que dispõe o indivíduo. Não é esse o tema prioritário da teoria de Freud.

3.3 Rudolf Steiner

Rudolf Steiner ensina que a vida humana é caracterizada por ciclos de 7 anos (setênios), marcados pela predominância de determinada configuração anímico espiritual, e o desenvolvimento da personalidade ocorre da mesma forma.

A personalidade não nasce com o nascimento! O eu de um recém-nascido é tão velho como o de qualquer outra pessoa. Na presente encarnação, porém, ele ainda não permeou os diversos envoltórios terrenos.

No decorrer da vida, o eu procura realizar-se, a si e ao seu carma. Pais e educadores devem ajudá-lo nessa tarefa.

Daí a grande responsabilidade de quem lida com crianças. Não se pode criar uma personalidade, um eu! Mas pode-se favorecer ou dificultar o seu desabrochar correto.

Muito do que é aprendido na vida infantil, e esquecido depois, reaparece mais tarde, sob forma de faculdades adquiridas. A lei da metamorfose domina a evolução da criança de forma intensa, porém permeia toda a vida do indivíduo.

4. Conclusão

Esses são apenas alguns poucos aspectos acerca desse assunto, em que o Visagismo acadêmico se empenha em estudar para que o trabalho de Visagismo pessoal, empresarial ou de produtos seja o mais completo e profundo possível, atendendo as expectativas de seus clientes no intuito de melhorar suas imagens e assim, realizarem seus objetivos.