De cabeleireiro por repetição a mestre do Visagismo no Brasil, referência no mundo acadêmico

  1. Introdução

Cabeleireiro por tradição familiar quebra barreira de estagnação onde executar um ofício e ganhar dinheiro satisfaz como um lugar comum.

Abaixo um depoimento sobre a evolução do professor de Visagismo acadêmico Robson Trindade dentro do mercado da beleza, tornando-o autor de livros de Visagismo acadêmico e mestrando em tecnologias da inteligência.

O professor Robson Trindade herdou de sua mãe a profissão de cabeleireiro.

Ela estudou até o quarto ano primário e se tornou uma cabeleireira com uma clientela de dar inveja, fala bem, se veste e se porta muito bem perante suas clientes, mas ele confessa que tudo isso é fruto de uma postura autodidata.

  1. A necessidade da educação

Aí não basta ganhar dinheiro, é preciso surpreender o mercado em que a gente atua.

Os salões de beleza ganham dinheiro e se acomodam, achando que a vida vai continuar sempre assim.

Porém cada vez mais é necessário você buscar conhecimento, entender de moda, entender de história, geografia, geometria, matemática, gestão, então a grande surpresa e o grande diferencial foi buscar estudo, buscar conhecimento e continuar trabalhando como cabeleireiro.

Investi o dinheiro que eu fui ganhando, bastante dinheiro, mas não só investi em bens, mas também consolidando minha educação através de cultura, através de educação para melhorar ainda mais aquela cultura porque não queria ser enganado ou não ter respostas diante de algum questionamento de minhas clientes.

  1. O problema da falta de qualificação do mercado

Com o passar do tempo fui percebendo que existia muita fragilidade no mercado de cabeleireiros.

Muitos profissionais falavam errado até o nome da atividade profissional, muitos profissionais explicavam coisas para as clientes, que não eram fruto da verdade, mas eles eram enganados por quem atendia eles vendendo um produto ou vendendo uma técnica, e eles na simplicidade, também vendiam para suas clientes uma informação errada.

E eles vendiam com tanta segurança e tanta firmeza porque eles acreditavam no que tinham falado para eles, e na verdade, nós profissionais fazíamos isso porque éramos enganados, mas a gente fazia com fé acreditando que aquilo era verdade.

  1. Carência de estudo

Aí você vai descobrindo e percebendo com o passar dos dias que não basta todo dia levantar cedo, se arrumar, se produzir, estar bonito, perfumado, ter bons equipamentos, ter um belo ofício.

É preciso ter profissão mesmo, e profissão pode ser uma profissão de cabeleireiro, mas precisa ter uma graduação, precisa ter uma pós-graduação, precisa ter uma especialização, precisa buscar cada vez mais oportunidade de ler, oportunidade de estudar, oportunidade de pesquisar, mas você pode continuar fazendo aquilo que você gosta como cabeleireiro.

Contudo você não vai ser mais enganado e aí você não vai mais enganar também a sua cliente e lá atrás, alguns anos atrás isso parecia uma utopia, parecia uma coisa desnecessária.

Por que, para quê fazer isso? As clientes também não conhecem nada elas também não sabem então eu era enganado e enganava elas inconscientemente, mas elas também não sabiam.

Então eu era enganado, enganava elas inconscientemente e elas também não sabiam e ficava por isso mesmo.

  1. O mercado e as clientes evoluíram

Mas elas podiam um dia despertar e aí eu estaria perdido, então me preparar, estudar e evoluir ia fazer com que eu fosse um melhor profissional e para a minha sorte, eu me preparei, o mercado evoluiu e as clientes ficaram mais inteligentes.

Com o advento da informática, com o advento da internet e com as informações de maneira muito instantânea, fez com que se você falar uma coisa que não é verdade, mesmo que você acredite nessa mentira contada por alguém, e você acredita por causa da simplicidade do profissional de beleza, a cliente sabe que não é verdade e ela surpreende você dizendo:

‘o que você está falando está errado’ e ele fala

‘não, fulano me disse que está certo’ e ela fala

‘não, está errado por causa disso, disso, está aqui na internet, está errado’.

  1. “Sub” atividade

E aí surge uma situação onde o profissional de beleza passa a ter uma ‘sub’ atividade, porque ele passa a ser identificado como alguém que não sabe o que faz nem o que fala, faz por repetição. Aprendeu a fazer porque viu alguém fazendo e repete exatamente o que alguém fez.

Então aprende sua habilidade de execução por repetição, e também fala para a cliente aquilo que escutou também por repetição, quase como se fosse um papagaio, então estudar deu uma grande, uma imensa oportunidade de abrir uma avenida enorme na minha vida profissional.

  1. Mudança de foco dentro da profissão

E aí eu olho para o mercado e penso assim: ‘eu sou o melhor do mercado, eu sou o mais inteligente do mercado’.

Não, fez com que eu olhasse para o mercado e pensasse: ‘eu tenho que ajudar, agora eu tenho que olhar para o mercado e me dedicar a ensinar as pessoas que elas precisam aprender também o que eu aprendi’.

Então eu abro mão da minha vida profissional e pessoal e começo a trabalhar ensinando e estruturando cursos universitários, me dedicando dias e dias, dando aula em pé e ensinando para as pessoas o que elas tinham que aprender.

E depois das aulas, levando para minha casa trabalhos e provas para corrigir e depois ensinando, ensinando, ensinando e começando a criar um legado de pessoas que passaram a entender que estudar era tão importante quanto saber fazer o trabalho.

E aí você vê as pessoas começarem a atender clientes e a dar entrevistas e a falar em seminários, congressos e palestras, conteúdos que você fala ‘elas entenderam, elas aprenderam, elas sabem o que falam hoje’.

  1. A diferença de alguém que estudou com alguém que não estudou

Às vezes a gente vê uma blogueira falando uma coisa num vídeo do Youtube por exemplo, e fala:

‘ela está falando uma coisa que não existe, ela está falando uma coisa que ela não sabe’, e aí eu fico com dó, eu falo assim:

‘é porque ela não estudou’, mas hoje nós temos muitos cabeleireiros que aprenderam com técnica, que se graduaram, se pós-graduaram, que tem inúmeros trabalhos de pesquisa científica em várias áreas, nas áreas de química cosmética, nas áreas de tricologia, em áreas do Visagismo, que é o grande ‘boom’ do mercado e que é a plataforma que eu mais estudo, o Visagismo acadêmico, porque trabalha na imagem das pessoas, sobre a plataforma da aparência.

  1. Conclusão

A grande verdade é: o cabeleireiro evoluiu, o cabeleireiro hoje é um profissional acadêmico, o cabeleireiro hoje atende uma cliente, não fazendo o cabelo dela, mas entendendo quais são seus desejos e anseios e entregando para ela uma imagem alicerçada na sua aparência.

Isso tudo de acordo com o compromisso que ela tem, respeitando o horário do compromisso e entendendo qual é a necessidade entre a estação do ano, a roupa que ela vai usar, quem ela vai acompanhar, se ela vai palestrar ou se ela é a homenageada.

Então hoje existe uma conexão entre o profissional, a cliente e o acontecimento, porque o profissional deixou de ser alguém por repetição, deixou de ser um papagaio, hoje ele é um profissional.