Recursos de Beleza no Século XXII

Robson, você está falando muito da questão do século XXII. Aí eu te pergunto:

Hoje estou vendo a questão do táxi… pontos de táxi já não existem mais.

As pessoas tem um aplicativo que fornece mais rápido, mais acessível e mais seguro.

Você acha que isso pode acontecer com os salões de beleza?

Sim, eu não acho, eu tenho certeza. Porque o mercado vem evoluindo muito rapidamente. Antes nós falávamos de 10 em 10 anos, hoje eu estou falando de século. Por quê? Porque é tudo muito rápido, tudo muito veloz.

A velocidade, quando a gente pensa nos recursos eletrônicos, são coisas sensacionais, isso vai mudar de maneira absurda, e quando a gente fala de antecipação, é tentar pensar o que vai acontecer lá na frente.

Então, se você ficar estagnado no lugar, você acaba falecendo nesse recurso de trabalho.

Eu lembro que um colega meu, me disse a pouco tempo atrás, eu posso dizer o nome dele… ele é meu amigo, não vai se importar, até porque ele me consulta sempre, ele me tem como se eu fosse o pai dele, chama-se Luciano Cavalcante, ele falou “poxa, estou pensando em investir um dinheiro e comprar alguns pontos de táxi”, eu falei para ele “meu, esquece isso, isso é coisa do passado”, ele falou “não, ponto de táxi dá uma grana, a gente pode vender, pode comprar” e assim por diante, e eu falei para ele que achava que não era um bom investimento.

Ele acabou não fazendo o investimento, e logo depois surgiu o 99 Táxis.

Então assim, se eu sabia que ia surgir? Não, eu não sabia, mas eu achava que aquele formato já era muito antigo, não era possível que permanecesse daquela maneira.

Então quando a gente fala de recurso de beleza, os recursos de beleza eles dependem da pessoa, do indivíduo, então o salão de beleza tem como cliente os seus profissionais, esses profissionais têm como cliente as pessoas que ele atende.

Uma pessoa que tem um salão, que pensa que o cliente dele é a pessoa que é atendida, ele se engana.

Porque sem um profissional não tem como ele fazer.

Então é muito claro, pra mim, que essa aproximação entre profissional e cliente vai se tornar cada vez mais próximo e que esse ambiente de salão vai desaparecer. Por quê? Porque a pessoa pode simplesmente de alguma maneira digital, virtual, acessar um profissional muito próximo da casa dela e adquirir esse serviço imediatamente.

Ela pode chamar uma manicure, uma maquiadora…

Pode programar isso para que ela seja atendida na hora, no lugar, no momento em que ela precisa.

Então os espaços de beleza vão perder esse formato.

O que eu entendo é que a gente vai ter aí pequenos estúdios, para atendimento in loco, porque a pessoa vai se dirigir a esse lugar, pois lá ela vai poder levar o vestido, o sapato, o acessório, e o profissional visagista, vai dizer: usa essa roupa, usa aquela roupa, usa esse acessório, esse sapato com aquilo ali, assim.

Esse perfume não, esse perfume é muito forte, para cá para lá, coloca a lente de contato, não, agora coloca o óculos… Então assim, vai haver uma composição da imagem como um todo.

E nesse lugar, é possível que tenha ali um ponto de atendimento que ela possa chamar um profissional para atender.

Mas o visagista não é um profissional de atendimento, ele é um profissional de elaboração de imagem e elaboração de projetos.

Os projetos surgem através da solicitação da cliente e a expertise, a inteligência do visagista.

Mas o visagista não é o profissional que executa o trabalho. Ele pode ser? Não, ele ainda é, porque nós estamos falando agora de 2015.

Mas no próximo século XXII os visagistas que vão estar no mercado não vão ter noção nenhuma do que é fazer uma escova, porque quem vai fazer a escova são outros profissionais.

Quem vai ser o visagista vai ser gente formada, gente com conhecimento, gente que quando olha para uma pessoa consegue ler essa pessoa, entender as suas formas, quais as funções dessas formas, e o que isso pode ter aderência à uma nova imagem.

Então o mercado está mudando? Não, o mercado já mudou.

Robson, eu vim estudando sobre o Visagismo, e eu vejo que há mais de 50 anos já tinham matérias falando sobre formatos de rosto, e o formato do cabelo, que compunha esse rosto.

Então você conseguiria harmonizar ou caracterizar ainda mais. E aí se vê que a coisa evoluiu. Porque até um tempo atrás eu já vi profissionais fazendo leitura só de uma face do outro com a própria mão.

Sendo seu aluno, eu participei da evolução da consultoria, onde você desenvolveu algumas ferramentas, e eu já vi pessoas falando que isso é maluquice. Por quê como você vai medir um rosto? Só que aí, você explicando, você detalhou que a ferramenta, como a gente está construindo uma imagem, precisa de ferramentas, e ali te mostra que você consegue ter uma precisão maior em medidas, em ver realmente o formato do rosto e outras medidas que são várias ferramentas.

Isso já foi uma evolução da mão para a ferramenta.

E aí eu pergunto de novo a questão do aplicativo, se vê muito aplicativo hoje, e eu acredito que as pessoas vão querer certas imagens, e aí o visagista então que vai propor, que vai criar o roteiro, o projeto, e outros profissionais vão executar.

Exatamente isso. Desculpa te interromper, mas, assim, quando a gente pensa na história do cinema, a gente fala do Max Factor, ele criou um aparelho para encontrar o que fazer com a aparência das personagens, das atrizes, dos atores, e encontrar como ele iria potencializar essa beleza.

Existia um aparelho, que era um capacete, e que quem olha hoje acha que o cara era louco.

Então as ferramentas que nós acabamos desenvolvendo na universidade, para que os alunos pudessem encontrar através daquelas formas, daquelas peças geométricas, aguçar melhor o seu olhar na aparência de uma consumidora.

Então, na verdade, essa convergência, das ferramentas, das réguas, elas vieram, principalmente, por conta de que o profissional precisa exercitar os seus olhos, e saber que nada é fruto de “achologia”, tudo é fruto de pesquisa e de estudo.

Então quando nós pensamos em livros, livros são ferramentas importantes para autoconhecimento, mas verdadeiramente os livros precisam ter pesquisa científica, artigos científicos publicados, porque quanto mais isso acontece, mais fortalece o trabalho do visagista.

Quando nós pensamos em 1934, que é mais ou menos a data que Fernand Aubry falou a primeira vez a palavra Visagismo, é porque ele viu um jardineiro… enfim, essa história muita gente já conhece, mas o que ocorre é o seguinte, enquanto o jardineiro, não era jardineiro, era paisagista, então se o Fernand Aubry trabalhava com maquiagem, na excelência do seu trabalho era maquiador, fazia cabelo mas ele era maquiador, por excelência, então ele também se intitulou, ele mexia com visage era o rosto, então ele era um visagista.

Então, quando a gente pensa nisso, a gente fala que em 1934 a primeira vez que pronunciou a palavra, em 1937 nós temos documentos que comprovam que em 1937 tanto o Visagismo quanto o visagista já era fruto de divulgação através de cartazes, conhecidos popularmente como “lambe-lambe”, isso é real, é fato.

Estou falando de quase 100 anos atrás, e passou assim, em um minuto.

As ferramentas, os recursos, tudo isso faz com que o profissional entenda que não dá mais para ficar parado, que ele tem que se mobilizar, tem que se movimentar, tem que ler, tem que saber falar melhor, ele tem que saber interpretar o desejo da cliente e depois falar para ela se é exatamente o que ele entendeu e como ele vai executar isso.

Ele vai executar isso em forma de projetos, detalhamentos, passo a passo, e vai encaminhar para um cabeleireiro, encaminhar para um maquiador, encaminhar para uma esteticista, encaminhar para um cirurgião plástico, para um dentista.

Nós acabamos agora de fazer um artigo científico. Eu e o Doutor Aranha, que é um dentista bastante conhecido no mercado, fizemos um artigo científico através das próteses dentárias e encontrar qual é a proporção de ouro de cada dente.

Por quê a gente esta tentando descobrir a proporção de cada dente? Porque existem recursos de embelezamento dos dentes fantásticos hoje, mas aí você vê uma pessoa com um sorriso que parece que pintou tudo de branco.

E o dente, individualmente, ele tem uma imagem pessoal, cada dente dentro da boca, então nós estudamos cada dente, cada posição, cada formato através do formato de rosto e encontramos qual é o ponto de ouro em cada dente.

Então a gente sabe que quando a pessoa colocar mesmo um dente, que seja produzido por uma prótese, um dente feito em um laboratório, esse dente tem que ter um lugar onde vai brilhar, onde vai parecer muito mais natural que aquele dente anterior.

Então não basta ter os dentes bonitos e brancos, tem que ter o dente com aspecto de natural.

Não importa só ter os dentes brancos e bonitos, precisa ter o ponto de ouro, em cada dente, onde é o lugar exato do brilho de cada dente.

Então quando você sorrir, o brilho aparece pontuado naquele dente, nesse, naquele, em lugares diferentes, o que passa a imagem de um dente bonito e natural.

Quando nós falamos dos óculos, os óculos têm um formato, os óculos vem a compor o rosto, como? Existe um tamanho do olho, existe o olho, a sobrancelha e a parte da base que não pode encostar no rosto.

Existe a diferença entre os olhos, existe a expansão do formato do rosto lateral, existe o perfil do rosto, seja reto, seja côncavo ou convexo.

Existe o tom de pele, existe o tom de roupas que a pessoa usa, existe a estação do ano… então tudo tem informação e tudo pode ser contemplado pelo Visagismo.

Isso é modernidade? Não, isso é necessidade, porque muita gente comprava de maneira desenfreada sem informação correta, comprava porque achou bonito na vitrine, quando ela colocava nela, ela não gostava mais, ela colocou, na loja, o óculos ficou bonito, mas no dia a dia dela, aquela iluminação da loja não é iluminação do lugar que ela trabalha, então aquele óculos não fica bacana para ela.

Então a gente está falando do que? De óculos? De brincos? De carro? De comida? Do que a gente esta falando? Estamos falando aqui da imagem pessoal.

Eu acredito que seja a composição.

A composição geral da imagem, então, assim, as pessoas as vezes ficam muito presas em um conceito, como se fosse uma religião, ou seja, ela escuta, acredita, tem fé, e não questiona.

Mesmo as coisas que eu falei na universidade, que eu falo até hoje nas universidades, nas palavras que eu faço, nos workshops, nos cursos que eu ministro, eu sempre falo para a pessoa: “não acredite no que eu digo, pesquise”, porque a medida que cada um pesquisa a gente sempre está dando um passo adiante, e eu estou falando aqui hoje para você do século XXII.

O Visagismo e o século XXII. Por quê? Porque o Visagismo é a nova profissão no mercado de beleza.

O Visagismo vai ser, com certeza, o recurso que os profissionais de beleza visagistas vão encontrar melhor como desenvolver um projeto para sua cliente, mas esse profissional visagista não vai ser executor.

Ele não vai ser executor. O mercado vai mudar.

Você falou sobre ferramentas, você falou sobre o trabalho para criar projetos, isso seria um consultor, que você vai estar propondo serviços, indicando.

Perfeito.

Existe uma nuvem, que ela acaba dividindo alguns profissionais, alguns acham que precisam cobrar pela consultoria, outros não, que é só mais um serviço, mais um conhecimento dentro do serviço. O que você acha? Cobra ou não cobra? Porque você fez um trabalho, isso demorou um tempo, isso tem uma estrutura, isso tem um gasto.

Longe de mim querer resolver o problema de todos, mas vou dar a minha visão.

Quando eu participo de um curso seja ele workshop, vivência, seja no que for, quando eu saio do meu lugar comum, eu levanto da cadeira, e vou até um lugar participar de um curso, eu pago por esse curso, eu tenho despesa para eu me locomover para eu ir de onde eu trabalho até esse lugar, eu tenho que me alimentar, eu tenho que investir em livros, em ferramentas, e uma série de coisas para entender, por que que eu não vou vender esse serviço? Se eu comprei eu tenho que vender.

Não é justo que eu compre e depois não possa vender.

Então assim, o serviço de Visagismo, enquanto curso técnico, torna a pessoa, na minha visão, um estilista, que é um cabeleireiro que sabe ler um projeto visagista.

Entretanto tem visagistas graduados, visagistas pós graduados, visagistas hoje que fazem mestrados focados em Visagismo e tem até profissionais trabalhando em doutorado na ECA na USP em Visagismo.

Então assim, se esses profissionais estão estudando tanto, estão trabalhando tanto, para que? Para depois doar os seus serviços? Não, eu não acredito.

Eu acredito que cada vez mais esse serviço vai ser vendido. Eu, por exemplo, sempre preguei essa informação que a Consultoria Visagista deveria ser vendida, apartada do serviço executado.

Você tem o direito de aprender e pagar por esse conhecimento e depois vender esse conhecimento para outras pessoas.

Você paga pelo conhecimento e depois tem o direito de vender o conhecimento.

O Visagismo é uma profissão, quer a gente queira, quer não. A Consultoria Visagista ela é vendida.

Nós vendemos hoje a Consultoria Visagista.

Eu vou colocar o preço, mas vou dizer para você qual a data de hoje, hoje é 19 de Fevereiro de 2015. Nós vendemos a Consultoria Visagista Facial Parcial por R$ 980,00.

Nós vendemos um Consultoria de Beleza com até 14 projetos por R$ 3.900,00. Nós vendemos uma Consultoria Visagista Plena que pode contemplar até 40 projetos por R$ 5.400,00.

Isso é comercializado hoje.

Nós já vendemos hoje. Nós começamos em agosto do ano passado com uma demanda de 74 consultorias/mês.

Então eu digo para você assim, o que eu vou fazer? Eu vou dar para as pessoas? Eu mal tenho tempo de cortar o cabelo agora, porque eu me dedico totalmente a Consultoria Visagista como atividade principal. Então assim, quem vai executar esse trabalho? Qualquer profissional, qualquer profissional que possa receber o projeto lá e entender o passo a passo.

Que o profissional do meu tempo, contemporâneo, a minha execução profissional de cabeleireiro, nós olhávamos para o cabelo de uma cliente e tentávamos reproduzir, sem conhecimento nenhum, a busca era só a imagem, qual imagem? Esse cabelo eu tentava reproduzir na outra, que as vezes tinha um fio diferente, um movimento diferente, uma cor diferente, uma textura diferente, um porosidade diferente, então assim, o mercado é muito extenso e muito longo.

Eu vou fazer um comentário aqui, porque as pessoas sempre falam que eu sou meio maluco, de maluco eu não tenho nada, mas às vezes eu sonho, e nos meus sonhos, as pessoas não tem mais cabelo.

Então, imagine eu como profissional da área de beleza há 41 anos, que eu corto, escovo, faço colorações, mechas, penteados, maquiagens, há 41 anos sonhar que a pessoa não tem mais cabelo.

Parece que a minha atividade profissional vai acabar.

Então eu digo assim, piração do meu sonho? Talvez. Mas talvez um sinal. Porque quando você estuda muito e lê muito, essas informações todas ficam flutuando na sua cabeça.

Quando você vai dormir essas conexões podem sofrer ligações, então você passa a pensar que o cabelo é importante pra imagem? É. E quem não tem cabelo? É feio? Não, tem muitas pessoas que não tem cabelo que são muito bonitas.

Nós vivemos em uma época de evolução.

Nós vivemos em um momento onde os recursos que estão a disposição do consumidor casa vez mais são de  extremamente fácil acesso, barato, e o que a pessoa quer é fugir da ditadura de ser parecido com alguém.

Mas viver a democracia e uma imagem pessoal que comunique quem ela deseja parecer para as pessoas.

Ela não quer parecer com um grupo, ela quer parecer com ela.

O que ela quer comunicar? Aquilo que ela é, aquilo que ela tem de conhecimento, tudo o que ela tem de potencial para executar sua atividade profissional.

Então não existe mais ditadura, não existe mais nada que está formatado.

O que existe hoje são novas possibilidades.

E eu posso dizer para você e para as outras pessoas que nos circulam diariamente, e que estão no nosso convívio secular:

“o Visagismo é a profissão do futuro.”

Bem-vindo ao século XXII.